nov52007

mocinha

scarlett.jpgHoje tive duas idéias, dois insights: Primeiro, a partir deste comentário da Greice. Que me fez pensar em que comer sentimentos, engolir sentimentos não é apenas isso, engolir o que não foi possível colocar pra fora, pode também ser o contrário, ou seja, a gente pode comer justamente o que não conseguiu segurar, as coisas que entraram em ebulição.

Enfim, pra mim, com alma de gorda, tudo é motivo pra comer.

Eu não quero ter alma de gorda, não quero precisar exorcizar minha alma gorda. Nem alma magra, minha alma tem que ser somente minha alm148602g.gifa. Do meu tamanho de preferência.

Mas hoje a gente vive num mundo em que tem que simplesmente exorcizar o que se é. Nada parece suficientemente bom, algo sempre precisa ser freneticamente mudado na vida, na personalidade. Cultura do espetáculo, essa nossa. Bem espetaculosa… E eu que tô tão longe da mocinha.

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A outra idéia que eu achei muito legal e que eu acho vai me ajudar é fazer como essa moça desse blog. Ela fotografou as semanas dela. A evolução dela, semana a semana em fotos. Gostei da idéia. Vai ser um tremendo exercício pra mim que odeio ser fotografada. Odeio agora que estou gorda demais. Porque eu adorava. Escrevi um post uma vez falando sobre a mudança das minhas fotografias de acordo com meu peso, como meu sorriso foi se apagando conforme os quilos foram se instalando.

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Queria mesmo era assumir esse corpo, tratar de me embelezar e pronto, me aceitar, não ficar tão presa neste mundo de objetos e símbolos, mas eu não posso, não consigo. Eu realmente sofro com isso. Queria ligar um enorme foda-se pra tudo isso e não deixar que censurem minha fome, mas não dá eu não sou bem resolvida o suficiente pra isso. (Esse comentário vai dar bode, eu sei, mas não tô mais aqui pra ficar mentindo pra mim mesma.)

Ainda me afeta uma médica me atender e me desprezar porque eu estou gorda. Não se ater ao meu problema e me passar um diagnóstico porco porque eu sou gorda. Ainda me afeta o nojinho que a gordura desperta nos outros, ainda me afetam os rótulos de incapaz, preguiçosa, sem caráter pregados na minha testa quase toda vez que alguém me olha. Eu sei que são rótulos que eu mesma preguei, tudo bem.

Muita gente vai dizer, não, não, Nalu, não é bem assim! Mas se vc não é gordo, gordo mesmo, de verdade, você não sabe o que é isso. E pode acreditar que eu não tenho orgulho de saber disso mais que ninguém, adoraria não saber. É. É assim mesmo.

Por isso que minha fome seja regulada, pois, por essa sociedade de mulheres famintas*. O controle é tal que é aceito como voluntário. Hahahahaha, faz-me rir.

hungryhungry.jpgMas meu corpo também é texto cultural né? Nele também tá inscrito que não pode ser guloso, não pode ser gordo. É feio, menina.

Sem esse papo de vida saudável, tá? Que saudável é tb algo que alguém define né não? E não fui eu hahahahaha.

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Então a gente vai caminhar ai na seara do emagrecimento, da RA. Como se eu precisasse ser reeducada, ai zeus!. Mais essa falha na minha já tão capenga educação.

O post tá meio cáustico, mas eu tô bem, muito bem, não se iludam. Só não consigo (nem quero) ser muito miguxa e feliz neste particular. Vai ver que essa cara feia é fome.

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*Esse é um excelente texto pra entender um pouquinho o que a sociedade faz com a fome das mulheres atualmente. É um texto técnico, de sociologia, é grande, fala de Foucault (hahahaha) mas recomendo fortemente. Pra quem curte esse tipo de coisa mais heavy. Quem quiser leia, é fantástico!!!! Sociologia é um excelente Mata-Mitos. Pena que não mate a fome. Aliás, até mata, mas a longo prazo. E eu preciso me apressar.

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