Category: prisão

jan302010

50 perguntas que libertam a mente

“Algún día en cualquier parte, en cualquier lugar indefectiblemente te encontrarás a ti mismo, y ésa, sólo ésa, puede ser la más feliz o la más amarga de tus horas.”

Pablo Neruda

.

Eu vi no blog da Ana Paula, o Colorida Vida, um post falando sobre estas perguntas. Eu li e fiquei encantada com elas, estou meditando mesmo sobre cada uma, acho que realmente podem abrir a cabeça. Por isso vou deixar essas perguntas aqui, primeiro porque acho que tem tudo a ver com o lance de emagrecer. Emagrecer nunca é só emagrecer mesmo.

E depois enquanto eu reformulo tudo que preciso reformular pra entrar nessa de cabeça de novo. No post , a Ana Paula fala que viu originalmente aqui.

Eu acho que vou responder uma pergunta por dia, por pos, ou por dia, mas no dia quando tiver tempo. Porque a verdade verdadeira é que um bebê de dois meses consome todo meu tempo. Quase todo, incrível.

Foto sob licença creative commons, daqui.

=====


Essas perguntas não têm resposta certa ou errada.

Porque às vezes fazer a pergunta certa é a resposta.


1. Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos tem?

2. O que é pior, fracassar ou nunca tentar?

3. Se a vida é tão curta, por que a gente faz tanta coisa que não gosta e gosta de tantas coisas que não fazemos?

4. Depois que tudo for dito e feito, você terá dito mais ou feito mais?

5. Cite uma única coisa que você gostaria de mudar no mundo.

6. Se a felicidade fosse a moeda do país, que tipo de trabalho te faria rico?

7. Você está fazendo aquilo em que acredita ou se acomodou com o que faz?

8. Se a expectativa de vida fosse de 40 anos, em que isso mudaria sua vida?

9. Até que ponto você controlou o caminho que sua vida tomou até aqui?

10. Você se preocupa em fazer certo as coisas ou fazer as coisas certas?

11. Você está almoçando com três pessoas que respeita e admira. Todas elas começam a criticar um amigo íntimo seu, não sabendo que é seu amigo. A crítica é injusta e de mau gosto. O que você faz?

12. Se você pudesse dar um único conselho a um recém-nascido, qual seria?

13. Você passaria por cima de uma lei para salvar uma pessoa amada?

14. Você já viu loucura onde depois viu criatividade?

15. Há algo que você sabe que faz diferente das outras pessoas? O que é?

16. Por que o que te faz feliz não faz todos felizes necessariamente?

17. Cite uma coisa que você ainda não fez mas que quer MUITO fazer. O que te impede?

18. Você está se prendendo a algo que não deveria?

19. Se você tivesse que mudar de estado ou país, para onde iria e por quê?

20. Você aperta o botão do elevador mais de uma vez? Tem certeza de que isso acelera o elevador?

21. Você preferiria ser um gênio preocupado ou um Zé-ninguém feliz?

22. Por que você é quem você é?

23. Você tem sido o tipo de amigo que gosta de ter como amigo?

24. O que é pior, quando um bom amigo vai pra longe ou perder o contato com um amigo que mora bem próximo de você?

25. Cite algo pelo qual você é mais grato.

26. Você preferiria perder suas velhas recordações ou nunca poder construir memórias novas?

27. É possível saber a verdade sem antes questioná-la?

28. O seu maior medo já se concretizou?

29. Você se lembra algo que te deixou extremamente aborrecido há 5 anos? Hoje, aquele episódio importa?

30. Qual é sua memória da infância mais querida? O que a faz tão especial?

31. Quando no seu passado recente você se sentiu mais vivo e intenso?

32. Se não agora, quando?

33. Se você ainda não alcançou o que quer, o que tem a perder?

34. Você já esteve com alguém, não disse nada, e saiu com a sensação de que teve a melhor conversa da sua vida?

35. Por que religiões que pregam o amor causam tantas guerras?

36. É possível saber, sem sombra de dúvida, o que é bom e o que é mau?

37. Se você ganhasse 1 milhão de dólares, largaria o seu emprego?

38. Você preferiria ter menos trabalho ou mais trabalho em algo que realmente goste?

39. Você sente que viveu este mesmo dia 100 vezes?

40. Quando foi a última vez que você entrou na escuridão com apenas uma vaga luz de idéia de algo em que você acreditava?

41. Se todos seus conhecidos morressem amanhã, quem você visitaria hoje?

42. Você concordaria reduzir sua vida em 10 anos para ser super atraente ou famoso?

43. Qual é a diferença em estar vivo e viver plenamente?

44. Quando vai ser o tempo de parar de calcular os riscos e apenas seguir adiante e fazer o que é certo?

45. Se aprendemos com nossos erros, por que temos tanto medo de errar?

46. O que você faria diferente se soubesse que ninguém te julgaria?

47. Quando foi a última vez que você reparou no som da sua respiração?

48. O que você ama? Suas ações recentes refletem este amor?

49. Daqui a 5 anos, você vai lembrar do que fez ontem? E ante-ontem? E o dia anterior?

50. As decisões são feitas agora. A pergunta é: você está decidindo por si só ou deixando que outros decidam por você?



jan252010

el tiempo viejo que lloro

Si arrastré por este mundo
la vergüenza de haber sido
y el dolor de ya no ser,
bajo el ala del sombrero
cuántas veces embozada
una lagrima asomada
yo no pude contener.

Alfredo Le Pera

=====

O lance de ter ficado um tempo sem compulsão é que agora eu sei que é possível. E isso pode ser perigoso. É como saber que eu posso parar de fumar. Da primeira vez que eu parei foi uma surpresa pra mim ter conseguido, porque eu realmente achava que não ia conseguir. E eu consegui (alias, pensando agora é uma constante em mim achar que não vou conseguir algumas coisas e a mesmo assim conseguir). E isso me fez pensar antes de voltar: Ah, mas se eu parei uma vez eu paro de novo…

e com a compulsão acontece algo assim: A sensação de ficar livre dela era tão boa, mas tão boa, eu crescia aos meus próprios olhos, sabem? eu crescia, eu gostava de mim, eu me sentia muito bem comigo mesma, num orgulho até meio bobo e infantil.


E voltar a ter compulsão é tão humilhante, é tão patético, de uma certa maneira.


Só que eu tb não vou ficar cultivando ódio de mim mesma, foi isso que me fez chegar nesse patamar de gordura. Esse ódio já se foi há muito tempo, não vou ressuscitar ele agora. Eu só preciso de olhar pra dentro e descobrir onde eu tirei a força de não me render à compulsão.


out62008

quem seria?

Há entre mim e os meus passos
Uma divergência instintiva.
Há entre quem sou e estou
Uma diferença de verbo
Que corresponde à realidade.”
(Álvaro de Campos)

(Um post com constatações óbvias. E mais um da série posts chatos hohoho.)

=====

Tem a pessoa que eu sou e a pessoa que eu quero ser. Entre elas tem um trabalho. E tem é claro que a pessoa que vou me tornar vai inevitavelmente ser um híbrido entre essas duas. Acontece que eu sempre fico mais feliz quando estou trabalhando pra me tornar o que eu quero ser. O eterno vir-a-ser, é verdade. O ser em potência.

Eu tenho (e todo mundo, claro) a imagem (inclusive corporal) de quem eu gostaria de me tornar. A imagem fantasia, e a imagem mais próxima da realidade que é aquela que eu acho que dá pra ir trabalhando…

Creative Commons License
Imagem daqui

Trabalhando é palavra, eu fico muito melhor quando sinto que posso ir trabalhando essa pessoa e para essa pessoa. Por exemplo, se eu já sei que ficar aprisionada na minha procrastinação só me leva à infelicidade e à um mar de lamúrias e péssima qualidade de vida, então o remédio é combater a procrastinação, (que é algo arraigado em mim), né? E ai quando venço a procrastinação do dia, fico bem, minha qualidade de vida sobe. Se eu quero ser um ser humano melhor e faço algo no dia por isso, óbvio que melhora. Eu melhoro.

A sensação boa, (e eu sei que isso é obviululante [By Ana] pra muita gente, mas isso aqui é etc, e tal…) é a diferença. E porque algo tão simples é tão dificil de praticar? Simples, mas não fácil, essa é a verdade.

Eu perdi o fio da meada e fiquei mais de alguns dias ai sem fazer as coisas direito. E minha auto-estima entrou em coma, tão fraquinha já ela… E quando isso acontece eu fico com a sensação que a Nalu-que-eu-quero-ser tá indo embora, me dando tchauzinho do convés de algum navio que vai levar ela pra muito, muito longe, sem volta.

Mas é bom ter esta consciência, eu preciso ir ali, trabalhar pela pessoa que eu quero ser. Volto depois. Escrever sobre esses demônios essas bobagens todas, sobre esses dilemas faz parte de ser quem eu quero ser, por isso vou persistir ainda mais, mesmo que isso resulte em muitos posts chatos e longos. A finalidade maior aqui é me ajudar a ser quem eu gostaria. E só pra constar, eu sei que nunca vou ser quem imagino, mas posso diminuir a distancia entre o que sou e o que eu quero ser. Na verdade a busca é sempre essa mesmo, de coerência. Mas nada é garantia.

out52008

fresa em chocolate

Continuando a série sobre os significados mais comuns do excesso de peso, hoje eu li o seguinte trecho do texto:

3. Eu me sinto confinado.

Se você se sente assim habitualmente, seu subconsciente aceitará este sentimento como uma ordem, e o confinará da maneira da maneira mais direta que conhece, criando um corpo pesado e limitador.

Então, posso dizer que num determinado momento, por tudo que expliquei no outro post falando do segundo item, eu me senti confinada sim… Eu tinha tomado 3 decisões em pouco tempo que praticamente não tinham mais volta. Um cargo público, o casamento e o fim do Mestrado. Claro que tudo assim tão rápido e tão depressa deve ter levado meu corpo a pensar que era mesmo confinamento. Vai saber né?

Coisa mais estranha os caminhos que a mente da gente pega. Eu sei que até então levava uma vida que não conhecia a compulsão por comida.

Lembro bem das primeiras crises de compulsão que tive. Foram por chocolate, mais especificamente um chocolate chamado Stikadinho, que era um pequeno tabletinho recheado de morango, esse aí da foto. Morango e Chocolate, olha só! Aliás um excelente filme, que eu preciso rever, eu vi há muitos anos…

Eu nem sabia o que era compulsão por comida, até devorar a primeira caixa desse chocolate…E foi esse o caminho das pedras, logo depois que eu tomei posse. Eu tomei posse pesando uns 58, 60 quilos, não lembro exatamente. Mas lembro que preocupação com peso não era nem de longe o centro da minha vida como é agora. E eu não me orgulho de estar ocupada com tal bobagem agora. E sei que no futuro há uma grande chance de eu me arrepender de ter gastado tanto tempo na vida com isso. Mas tal qual a compulsão, eu não consigo evitar.

P.S. É muito interessante observar o caminho da cabeça da gente, caminho que 90% das vezes passa batido.,se a gente não presta atenção. Depois de escrever esse post, eu fui votar e depois fui em um shopping almoçar comida japonesa. Depois do almoço eu passei na sorveteria e automaticamente pedi um sorvete de morango e chocolate. Que na verdade há muito tempo eu não tomava desses sabores e nem estava me lembrando do post. Só depois de ter tomado um tanto já é que me dei conta do que ficou em minha cabeça na parte não consciente.

P.S2. Porque eu sou gorda sim, eu devo cortar açúcar sim, mas poucas coisas na vida são melhores que um sorvete num dia insuportavelmente quente como hoje. De fresa y chocolate, então…

“Quando se está preso,

o pior é não poder fechar a porta.”

Stendhal

set292008

not guilty

Creative Commons License

Figura daqui, licenciada sob uma Licença Creative Commons.

“É impossível começar a aprender
aquilo que já se pensa saber.”

Epicteto
=====

Estava eu lendo novamente o texto sobre os significados mais comuns do excesso de peso. Também porque eu acredito que quase todas as manifestações físicas são resultado de algum processo emocional.

E no primeiro item já consegui identificar um padrão que pode ter sido iniciado na minha infância. (Certamente na infância de muita gente.)

O padrão de se sentir culpado, de sentir mau, sujo e impróprio. Essa coisa de se sentir inadequado no próprio corpo, que tem raízes profundas e tão antigas quanto o patriarcado. E certamente em algumas pessoas isso contribui para engordar. Eu pensei bem e vi que isso pode ter influenciado no meu excesso de peso. Essa constante na minha vida de me sentir desconfortável no meu próprio corpo. Mesmo quando eu ainda era bem magrinha. Não acredito que foi só isso, claro, mas pode ter tido uma contribuição sim. E se foi esse o caso, acho que posso usar a afirmação positiva que tenta neutralizar esse padrão.

E junto com convencer a mim mesma nos níveis mais profundos que eu não vou sofrer escassez de comida, também aceitar o fato de que já não é mais o caso de ser punida ou castigada por nada, que eu não sou mais nenhuma criança indefesa ou desamparada. Que eu posso aceitar meu corpo como uma dádiva, que pode ser fonte de muito prazer também. Prazer sem culpa, claro.

Escrevi isso primeiro para bater ponto aqui, afinal eu já vejo que vou me vencer pelo cansaço, mas também pra dissecar mais de perto esses significados, e claro, me conhecer ainda melhor. que na verdade é o objetivo principal sempre. Também preciso muito saber porque a aparência é algo tão importante para mim, porque eu não posso simplesmente desencanar e deixar de me importar.

Hoje amanheci mal, eu que não sou de adoecer, ou melhor de apresentar sintomas, acordei com um mal estar generalizado. E filhote também teve febre e tudo. Acho que não foi nada, já passou.

Quero logo que chegue a segunda feira, pra eu comprar meus suprimentos de frutas e verduras que já está faltando e pra desfrutar um pouco mais de rotina alimentar. Ontem caminhei por meia hora, mas ao final estava muito tonta. É no que dá estar tão fora de forma. Se estiver bem vou a ioga amanhã.

set222008

fantasmas famintos

Se você está aqui
É porque veio
Se você veio até aqui
É porque está atrás de alguma coisa
Se você não quer nada
Por que não vai embora?
Titãs - Do ábum Tudo ao mesmo tempo agora
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Estou aqui escrevendo sem nem saber o quê. Porque essa é a pior hora do dia no que diz respeito a compulsão pra mim. e sou capaz de sentar e comer 50 chocolates. Literalmente. Uns 3 pãezinhos, enfim, essa hora o vazio não tem fim. Eu me sinto dominada por um perfeito fantasma faminto.

Ai para ver se consigo lidar com isso hoje, vim aqui escrever. Eu descubro que devo deixar a maior parte dos pontos, das calorias e da comida pra tarde/noite. Eu sei que de acordo com as recomendações mais recentes, isso é errado. Mas eu descobri na prática que quanto mais eu como de manhã, mais eu como durante o dia, não sei porque. Há tempos já eu sei disso. Agora resolvi seguir isso e comer menos de manhã. Pra falar a verdade eu não tenho fome e só não pulo o café da manhã porque de acordo com os ditames da moda nutricional isso é errado. Bom, então eu me saio melhor e fico mais controlada se como pouco na parte da manhã. Até porque eu normalmente acordo muito tarde e aí já passa pouco e é hora do almoço.

De todo modo, preciso acalmar esse fantasma faminto que se apossa de mim nesse horário. E sento aqui, olhando essa ele em branco e tentando ter algo pra dizer.

Meu dia até agora não foi muito bom, eu devia ter feito coisas que não fiz e não devia ter feito coisas que fiz. Isso também acaba contribuindo para o aparecimento dos fantasmas famintos. Eles ficam cada vez maiores, quanto mais eu estou em falta comigo mesma. Eles ficam ameaçadores, e sempre me vencem. Mas agora acho que devo encarar mais de perto esses fantasmas e ver o que eles estão querendo. Porque eles aparecem. É certo que querem me dizer alguma coisa, mas ainda não sei o que. Então vou tentar ouví-los um pouco mais. Se ele veio até aqui, é porque quer alguma coisa …

=====

Fantasmas famintos são, para os budistas, seres do reino inferior . São seres com um estômago gigante, com um pescoço bem fininho e uma boca minúscula. Vivem desesperadamente famintos, porque por mais que comam, nunca conseguem ficar saciados. Estão sempre mendigando comida e bebida, são eternos insatisfeitos. Aqui tem um artigo legal sobre eles.

set182008

caridade e esperança

Eu queria vir aqui e dizer que estou conseguindo. Que tudo ficou pra trás, que eu tenho a força e coisa e tal. Queria que fosse possível viver num mundo de fantasia. Ou queria me conformar em ser gorda. Olha que eu tento. Mui bravamente. Mas.

A história da minha vida, que já está cansando. E eu ontem li uma frase assim: “Você não será capaz de realizar aquilo que não acredita”.

E como é isso! Eu já sei porque não faço dieta, porque não consigo emagrecer. E é muito simples. Eu simplesmente não consigo ficar sem comer. Acho muito dificil me privar do prazer enorme que é comer. Queria ter algum outro prazer equivalente, mas nenhum se compara a comer. E ficar sem isso eu (ainda) não consigo. Mas sei que preciso. Aí achava que o lance era conseguir algo que alavancasse minha força de vontade. Porque eu não procuro desculpas pro fato de não emagrecer, eu sei que é simples (mas não é fácil). Eu sou gorda porque como muito e errado. Ponto. Não preciso ficar me enganando. Eu tenho uma dose mais reduzida que o normal de auto-engano, podem ter fé.

E fiquei procurando algo que me ajudasse com a força de vontade. Não encontrei ainda. Mas aí ao me deparar com essa frase eu vi que na verdade o buraco é mais embaixo. Antes da força de vontade vem a fé, a crença. Não há força de vontade capaz de me fazer lutar por algo que eu não acredito. E a verdade é que algo em mim acha acredita que eu não vou conseguir. Que eu sou a fraca sem caráter que o preconceito pelos gordos prega.

Ai eu vejo você com 49 quilos querendo mui desesperadamente emagrecer e minha crença se fortalece. Se você,com 49 quer emagrecer, eu com isso tudo sou uma idiota se não consigo. Porque é simples. Mas ai me desacredito cada vez mais. E entendo esse processo que está se desenrolando debaixo do meu nariz. E essas tentativas todas me enfraquecem muto e cada vez mais. Cada vez mais. Cada vez mais. Cada vez mais. Eu já vi esse filme antes, e ele é de péssimo gosto.

Eu fico achando que ser gorda/magra é o centro do universo. O umbigo da terra é estar gordo ou magro. Nada é mais importante, quanta futilidade, meu Pai! O que importa a eleição no Império se eu estou gorda? O horizonte se compõe e se divide nessa dualidade gorda/magra. E isso atinge níveis espetaculares. Ainda mais se eu ouço meu filho de cinco anos dizendo que não quer ser o Panda do Kung Fu Panda porque ele é gordo!

Ai meu mundo se destroça mais ainda e eu me diluo nessa realidade fantástica que é o mundo separado entre magros e gordos (na minha cabeça doente). E meu bem, a vida não tem valor desse lado da dualidade. Vocês podem achar que é exagero, eu não me importo. Na minha realidade só isso tem importancia. E eu estou perdendo a guerra, estou em desvantagem insincera perante a Mulher do Espelho.

Aí eu entro nesse paradoxo que é tentar encontrar fé. Eu que sempre dei fé que não se pode forçar a crença. Eu que fui escolher um cargo que todos os dias eu digo que dei fé, minha fé é pública. Pena que ela não serve pra dizer que eu estou magra. Senão eu ia no cartório ontem mesmo e registrava uma certidão certificada atestando minha magreza. Porque qual fé mais que eu preciso?

Eu preciso ter fé que vou conseguir. Mas.Que nem a força de vontade, eu ainda não encontrei pra vender. Nem mesmo na iurd tinha. A moça lá falou:

_–Fé? Tem, mas acabou.

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