Category: outrem

mar182008

somos todos

Palavras do mestre Guy, num tópico sobre astrologia no orkut:

Somos todos idiotas.

Etimologicamente “idiota” significa particular, especial. Todos sabem que um “idiotismo” é uma particularidade própria de uma língua. Há na mentalidade coletiva uma deriva natural em achar o particular uma anomalia. Deve ser dali que de particular se passou a ignorante. O Idiota é aquele que está por fora como a personagem de Dostoievski. É justamente o propósito da astrologia conseguir distinguir na personalidade o que há de particular em cada um, distingui-lo o que há de comum. Comum”, de certo modo opõe-se então a idiota, o idiota é extremamente incomum. É rejeitado.

jan112008

limón y sal

“Tengo que confesarte ahora, nunca creí en la felicidad,a veces algo se le parece pero es pura casualidad.”

Adorei essa moça. Estou na busca por música latina né? Já que argentina se encontra pouca (ou eu não sei procurar direito), acho que ela é mexicana. Hermana, de todo modo.

Vi aqui.


dez312007

passagem do ano

Adoro esse poema, adoro, adoro muito, mesmo que super batido. Gosto de ler para me lembrar.

newyear.jpg

O último dia do ano não é o último dia do tempo.

 

Outros dias virão e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.

 

Beijarás bocas, rasgarás papéis, farás viagens e tantas celebrações de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia e coral, que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor, os irreparáveis uivos do lobo, na solidão.

 

O último dia do tempo não é o último dia de tudo.

 

Fica sempre uma franja de vida onde se sentam dois homens.

 

Um homem e seu contrário, uma mulher e seu pé, um corpo e sua memória, um olho e seu brilho, uma voz e seu eco, e quem sabe até se Deus… Recebe com simplicidade este presente do acaso. Mereceste viver mais um ano.

 

Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos. Teu pai morreu, teu avô também.

 

Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras espreitam a morte, mas estás vivo.

 

Ainda uma vez estás vivo, e de copo na mão esperas amanhecer. O recurso de se embriagar.

 

O recurso da dança e do grito, o recurso da bola colorida, o recurso de Kant e da poesia, todos eles… e nenhum resolve.

 

Surge a manhã de um novo ano. As coisas estão limpas, ordenadas. O corpo gasto renova-se em espuma.

 

Todos os sentidos alerta funcionam. A boca está comendo vida. A boca está entupida de vida.

 

A vida escorre da boca, lambuza as mãos, a calçada. A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

Carlos Drummond de Andrade

nov212007

post da fal

Eu resolvi postar hoje aqui uma das coisas mais legais sobre ser/estar gorda. Foi a genial Fal que escreveu. Eu chorei no dia que li isso pela primeira vez. Só estava esperando ela autorizar pra postar. E hoje ela autorizou. Eu tava doida pra colocar aqui pra todo mundo ler também.

Gordos e magros. E principalmente pras pessoas cheias de boas intenções e doidas pra emagrecer os entes queridos, os vizinhos, os amigos, etc.

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Fui gorda a minha vida inteira. Ser gordo é complicado, porque toda a sua fraqueza tá ali, exposta. Batendo o olho, vc não sabe se o cara é alcoólatra, se bate na mulher, se é infeliz, se trái o marido, se é viciado em jogo….mas vc bate e olho e sabe que o cara é gordo (a). E portanto, fraco (a). Sem caráter. Preguiçoso (ad infinitum). Sem força de vontade. E um pouco porco também. Você, automaticamente já sabe todos os defeitos e dores dele, porque vc não aprendeu tudo no Globo Repórter e no programa a Adriane Galisteu? Logo, isso te dá total liberdade de, em público, na frente de qualquer um, expor o coitado do gordo (sim, todo gordo é um coitado. Além de nojo e horror, merece pena), agredindo-o, mas com um sorriso (pq afinal de contas, é para o bem dele). Vc pergunta quanto ele pesa, pq ele é tão gordo, se a mãe dele é gorda, se ele não ouviu falar dessa cirurgia milagrosa e se ele não quer emagrecer. Depois vc pergunta quem faz as roupas dele (claro, um cara desse tamanho, não encontra roupa em loja, ele deve ter uma costureira).
Ciente de que suas fraquezas não estão expostas, sentindo-se mais poderoso do que nunca e sabendo que geralmente o gordo só quer que a conversa acabe logo, vc o ataca impiedosamente (sempre para o bem dele), para gaúdio dos circunstantes. Para escaracterizar a agressão, vc diz coisas como “Mas você tem um rosto tão lindo…”, o que obviamente fará com que o gordo-em-questão que seja grato até morrer (pois sabe-se, que, tirando o Jô Soares, que é um gênio, os gordos são burro…e lentos). Passei por isso anos. Em filas de banco, pessoas que só querem meu bem, já vieram com dietas milagrosas. Lembro-me de muito poucas amigos dos meus pais que não passaram minha infância inteira destruindo a pouca auto estima que eu ainda pudesse ter. Aliás, o que elas não destruiram, minha família me fez esse favor. Lembro de ter uns doze anos e, depois de não ver meu primo (mais velho, ídolo, lindo) durante muitos meses (meu pai era dado a esses sumiços da família dele), ser recebida pelo tal primo com um “Oi! Vc emagreceu ou faz tempo que eu não te vejo??” Um dia, claro, amparado pela psicanálise vc aprende a brigar. A ser grosso mesmo. A mandar a velhinha do banco voltar pro lugar dela e não te encher o saco. A dar esporro em mãe.
A dizer pra tia que já que ela tem tanto interesse nos seus, falemos também dos problemas dela e “quantas são, agora, as amantes do titio?”. A perguntar qual o prazer que a pessoa sente em atacar suas fraquezas e ante a resposta “eu só quero seu bem”, dizer: “e eu só quero o seu….falemos um pouco das suas dores”.
Enfim, jogo baixo. Esse preâmbulo é pra prefaciar esse drops: Eu, num espécie de supermercado de cachorro (tem tuuuudo: caminhas, comida, desinfetantes, roupinhas, xampús…..tudo pra bichinhos), esperando a minha vez no caixa. No caixa ao lado, uma menina duns 16 anos e um guri duns 14. Gordos. Sendo massacrados pela mãe e o que devem ser 2 tias ou amigas de mãe (mães cruéis, geralmente, têm amigas cruéis) … as 3, extremamente bem intencionadas, claro (alguém realmente cha que um outro alguém perde peso assim??) , falam, claro, em voz alta, bradam humilhações, de como é incômodo sair com crianças tão gordas, que chamam tanto atenção, que eles vão morrer aos 30 anos, que eles nunca vão ser nada (palavra de honra, elas diziam isso). Paguei, empacotei, me virei pra sair. Mas não. Sabe o que, vão à merda. Voltei, abri minha bolsa, escrevi o endereço do meu blog num pedaço de papel. Estendi o papel pra menina e disse: “Vcs dois são muito lindos. Se eu inda trabalhasse com publicidade, chamava vcs pra fotos. Tó, meu blog, sabe o que é blog? (parece que todo mundo sabe o que é blog…só eu num sabia) Vou escrever pra vcs lá.” A mãe com a melhor cara de cu que eu já vi na minha vida. As tias mudas. A menina sorriu. O menino sorriu e disse brigado.

Pra vcs, Paula e Renato, que são mesmo muito lindos.
Por fora. Lindos. Não se esqueçam disso.
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