Category: leituras

dez182008

o lado sombrio do prazer

Estou lendo um livro muito interessante, apesar do título muito besta. É A Fórmula da Felicidade. Gostei particularmente deste trecho abaixo.

(Terminei de ler, acheio ótimo, o melhor livro desseassunto que eu li)

Tem tudo a ver com a questão do emgrecimento, principalmente se o excesso de peso é devido à compulsão alimentar, como no meu caso.

Sobre o livro, veja aqui. Se quiser ler mais sobre o capítulo do qual eu extraí este trecho, leia aqui, O Lado Sombrio do Prazer.

(Apesar do título, o livro é legal. Eu adoro livros que falam sobre o cérebro, especialmente sobre a felicidade e o cérebro. Tem muita coisa sendo publicada esses dias sobre o tema, que certamente não deixam de ter um quê de auto-ajuda. Mesmo assim, eu gosto deste tipo de livro.)

A ânsia descontrolada pelo prazer

Uma das conclusões mais irritantes dos estudos fisiológicos sobre o sentimento de gratificação é que as dependências químicas, não importa de que natureza, usam os mesmos mecanismos que no dia-a-dia são responsáveis pelo aprendizado e pela fruição normal do prazer, sendo, portanto, necessários a sobrevivência. Precisamente por isso, o estudo das dependências também mostra revelações importantes quanto à atividade psíquica de pessoas saudáveis. A dependência é um acidente na busca de todos nós por felicidade.

A evolução não programou nada para evitar que nos prejudicássemos dessa maneira, pois não podia prever essa circunstância que só ocorreria em um futuro distante. Há uma centena de milhões de anos, quando a maior parte dos nossos padrões de comportamento atuais foi estabelecida nos genes, não se podia imaginar que os humanos um belo dia consumiriam bebidas alcoólicas, construiriam cassinos e sintetizariam cocaína. Há apenas dez gerações, na época em que a fome era um flagelo freqüente em muitos países, não se tinha idéia de que a agricultura altamente mecanizada viria a ampliar a oferta de alimentos de tal forma que a obesidade se tornaria um grave problema de saúde pública.

A dependência, portanto, pode ser compreendida como um desejo que escapou do controle. Podemos relacionar até mesmo os sete pecados capitais a um excesso da nossa aspiração natural pela felicidade. Orgulho é amor-próprio em altas doses, avareza é parcimônia excessiva e inveja é um exagero da nossa tendência natural de buscar nas outras pessoas um ponto de comparação. A gula surge sempre que o organismo não responde à ingestão de alimentos com a sensação de saciedade. A luxúria nos domina quando não encontramos no sexo uma satisfação plena, o que nos faz querer sempre mais. A ira e a agressividade descontrolada, não submetida à razão. A preguiça é o estado em que ficamos quando, depois de um relaxamento saudável, não conseguimos recuperar o ritmo e a motivação naturais. As drogas funcionam exatamente como as fatídicas alavancas nos salões de jogos e nas gaiolas dos ratos, aumentando a quantidade de dopamina no cérebro. Sob efeito do álcool, o nível dessa substância praticamente dobra; e com nicotina e cocaína, até mesmo triplica, como constatou o toxicólogo italiano Gaetano Di Chiara. Como a dopamina desperta e intensifica a atenção, depois de fumarmos um cigarro nos sentimos agradavelmente estimulados para o trabalho. Duas taças de vinho nos enchem de otimismo.

Todas as dependências químicas, portanto, estão baseadas no mesmo mecanismo, e as drogas apenas se diferenciam pela maneira como o ativam. A nicotina libera dopamina de forma mais direta, com a ativação dos neurônios correspondentes. O álcool, a heroína e a morfina aumentam o nível desse neurotransmissor por via indireta, pois inibem os neurônios que normalmente contrapõem ao circuito de expectativa. A cocaína, por sua vez, evita a reabsorção normal da dopamina pelas membranas celulares, conseguindo assim que essa substância circule por mais tempo no cérebro. Quem consome o “pó branco” vivencia um estado parecido com aquele em que se encontrava Leonard, o paciente de Oliver Sacks, sob o efeito do medicamento L-Dopa, que o fazia sentir-se todo-poderoso.

Em última análise, o que importa é saber o caminho pelo qual um nível mais alto de dopamina será obtido. É necessário que essa situação aconteça, pois ela estabelece no cérebro uma associação quase indissolúvel entre a droga e a ânsia de consumi-la. Ao reconhecer um cigarro, o cérebro de um fumante aciona imediatamente o comando “acender”. O estímulo “garrafa”, por sua vez, desencadeia o desejo de beber. Basta a visão de uma seringa para que o aviso do desejo surja no cérebro de um dependente de heroína, como mostraram análises com o tomógrafo de emissão de pósitrons. É dessa maneira que a nicotina, o álcool e a cocaína penetram nas estruturas cerebrais responsáveis pelas sensações de prazer: como os guerreiros gregos escondidos no cavalo de Tróia. Em outras palavras, o cérebro de quem tem uma dependência é como uma cidade conquistada.

Clique aqui para ler mais.

set72008

a arquitetura do eu

ARQUITETURA DO EU, A
PSICOTERAPIA, MEDITAÇÃO E TREINOS PARA O CÉREBRO

Autor:  MASCARO, LEONARDO
Editora: CAMPUS

Assunto: PSICOLOGIA
Ficha Técnica     Sobre o autor
ISBN: 8535220690
ISBN-13: 9788535220698
Livro em português
Brochura
- 16 x 23 cm 1ª Edição – 2008 200 pág.
O objetivo deste livro é apresentar ao leitor uma abordagem absolutamente do trabalho terapêutico, baseada em treinos para a mente e para o cérebro – a Neuropsicoterapia. Criada e desenvolvida pelo psicólogo e Mestre em neurociências, Leonardo Mascaro, esta abordagem visa a facilitar a experiência de autoconhecimento, mudança e desenvolvimento pessoal.

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Livro todo lido.

É meio técnico demais, cansa um pouco. Mas tem coisas interessantes.

ago312008

mudança de hábito alimentar

MUDANÇA DE HÁBITO ALIMENTAR
Editora: Tecmedd
ISBN-10: 8573630868 ISBN-13:
Idioma: Português
Origem: Nacional
Edição: 1
Número de páginas: 140
Lançamento: 20/5/2003

A idéia básica deste livro é servir de instrumento de apoio para os colegas médicos como para os pacientes, nos casos onde se busca uma reeducação dos hábitos alimentares. Este livro vai ser útil para quem quer emagrecer naturalmente, mas principalmente para quem está buscando algum equilíbrio a partir da alimentação. É um livro sobre alimentos, sem dietas radicais ou mirabolantes.Neste livro o leitor vai encontrar uma introdução às bases da medicina chinesa, onde serao explicados os mecanismos de adoecimento e sua correspondência com os diagnósticos alopáticos. Será feita também uma descrição dos alimentos a partir de um ponto de vista energético, e aqui talvez resida a maior diferença entre este livro e outros sobre alimentação.

Livro todo lido. concluído em 30/08/08

nov202007

segredos da gordinha feliz

Tinha escrito um post meio-amargo (mas claro que não estava bom que nem o chocolate). Reclamão. Mas na verdade, eu estou com preguiça até de reclamar. Eu tenho feito um esforço há algum tempo pra parar de reclamar. Reclamação só na terapia, que reclamar é muito chato (embora eu seja uma pessoa super paciente com reclamações alheias). Mas eu tô num período eu não me aguento. Deve ser por causa da semana de Saturno que eu estou vivendo. Mas dia 22 vem Júpiter, meu padrinho, e as coisas hão de melhorar.

Então, que ninguém merece post-reclamão, eu vou colocar um livro aqui que consumiu minhas horinhas de folga ontem. Li numa sentada. É um livro muito bem humorado, que põe o dedo na ferida de uma forma muito legal. Daqueles livros que em vários pedaços eu pensei: Nossa, mas eu poderia ter escrito isso! Escrito por uma gordinha, claro. Garota Gorda, como ela prefere ser chamada. Recomendo muito. Toca em assuntos que tem pontos em comum com dois outros livros muito interessantes, mas é menos profundo, digamos assim. Tem paralelos com o Mito da Beleza e com Gordura é uma questão feminista. Aliás todos dois disponíveis no blog Feminista.

Então o livro:

segredosgordinha.jpg

SEGREDOS DA GORDINHA FELIZ
Wendy Shanker

TÍTULO ORIGINAL: FAT GIRL’S GUIDE TO LIFE, THE
ISBN: 9788576860280
IDIOMA: Português.
ENCADERNAÇÃO: Brochura | Formato: 14 x 21 | 266 págs.
ANO DA OBRA/COPYRIGHT: 2004
ANO EDIÇÃO: 2007
AUTOR: Wendy Shanker
TRADUTOR: Marisa de Menezes de Assis Gomes
Editora: Verus Editora


RESENHA

“Considerando que sou uma pessoa saudável, por que será que tanta gente (incluindo minha vizinha, minha prima e as editoras de revistas femininas) está decidida a fazer com que eu seja magra?” Com essa pergunta e muitas outras, Wendy Shanker nos convida a refletir sobre um tema que preocupa milhões de pessoas. Dos sete pecados capitais, a gula hoje parece o mais presente, e comer sem se preocupar com os quilos a mais não é bem-visto pela sociedade em quase nenhuma situação – das relações sociais e profissionais até as sexuais. Wendy Shanker é uma garota com vários quilos a mais, mas também é uma mulher inteligente e com grande senso de humor que, depois de ter tentado todas as dietas e métodos para emagrecer, decidiu que podia se dar ao luxo de ser feliz com seu tamanho extragrande. Segredos da gordinha feliz conta as aventuras de Wendy em academias e clínicas de emagrecimento, mostra seu espanto diante de dietas absurdas, diverte com suas incursões por lojas de roupa e emociona com seus relatos sobre a aceitação de si mesma, além de apresentar dados alarmantes sobre as empresas que estão por trás do mito da mulher ideal e fazer uma lúcida radiografia da sociedade atual.

Um pouco mais sobre ele no blog dos livros.

nov172007

tiranias

porquecomemos.jpgEssa semana eu li esse livro. Porque comemos tanto. De Brian Wasnick. É bem mais interessante do que eu esperava, foge do muito óbvio no assunto comer. Eu até posso (e vou) falar um pouco mais sobre ele em outra ocasião, mas agora preciso dizer sobre algo que acontecia comigo e que este livro nomeou. E ao nomear, clarificou muito a coisa. Porque a gente sabe que as coisas sem nome ás vezes são invisíveis, mas às vezes têm um poder muito grande. Um poder mais fluido, mais insidioso.

Pois bem, ao ler este livro, bem lá nos finalmentes ele fala de um fato que chama de “a tirania do momento”. Que seria o seguinte, nas palavras do autor:

“podemos nos comprometer a fazer uma pequena mudança na vida, como não fazer comer doces antes do jantar. Podemos anotá-la, fazer o sinal da cruz sobre o coração em juramento e anunciá-la a todo mundo. Podemos estar falando sério, de verdade. Mas avancemos dois dias. Foi um dia frenético no trabalho, você ficou 45 minutos preso no trânsito antes de chegar em casa, está exausto e sabe que tem uma barra de chocolate no canto esquerdo da porta da geladeira esperando você. É fácil quebrar seu juramento, afinal de contas hoje é uma exceção – foi um dia difícil e, para falar a verdade, você não comeu muito bem no café da manhã. Seu plano de alimentação consciente acaba de ser frustrado pela tirania do momento. e o momento – exatamente esse momento, excepcional – ganha forma tirânica e constante.”

Eu já tinha percebido que isso acontece muito comigo. Eu vivo permanentemente sob um estado de exceção. Pois o meu trabalho não tem horário, não tem local definido, não tem constância absolutamente nenhuma – a não ser no aborrecimento diário. (Meu trabalho é um excelente trabalho, disputado no último concurso por mais ou menos uns 30.000 advogados. Mas é altamente estressante.)

Eu não tenho rotina nenhuma no meu trabalho, nada é certo e os dias todos são muito desgastantes emocionalmente. Eu sei que isso não é privilégio meu, e que ter um trabalho agradável é uma dádiva, não é o que acontece com todo mundo. Pelo contrário. Mas o meu tem a peculiaridade de não ter nenhuma rotina pré estabelecida. De não ter sequer um local predefinido. E de não ter nenhum ponto de pausa. O quê, combinado com minha personalidade altamente indisciplinada é arruinante. E me faz viver em permanente estado de exceção. O que não é bom, a gente vê os jornais e sabe que estado de exceção é uma merda. Nem tem muito tempo que saímos de um. E outro estado de exceção marcou a humanidade pra sempre.

Tá legal, eu sou exagerada mesmo. Se não fosse não pesaria o que peso. Mas a comparação é só pra mostrar o estrago que a falta de rotina – ou para ser mais exata – a falta de planejamento e mais uma vez a preguiça fazem na minha vida.

A segunda é uma exceção. A terça e a quarta também. A quinta idem. A sexta, bem, é sexta né? E no sábado e no domingo eu tô cansada demais, desgastada demais e com as baterias mentais pifando pra me preocupar em comer menos calorias. Vivo num estado de exceção. E a tirania do momento se instala. Eu viro escrava. E escrava, prisioneira é como me sinto. Mas reparem que foi uma prisão que eu cavei com minhas lindas e gordas mãozinhas. Que não eram tão gordinhas.

Daí que lendo esse livro eu pude ao menos nomear a coisa. Tirania do momento. Tão f*%d@ como a tirania dos fracos. E percebo que é preciso aceitar que minha rotina é a exceção e que os momentos na verdade não são momentos, são os meus dias. Que se transformam em semanas, meses, que se transforma em anos.

Não dá mais pra fingir que tá tudo bem. Não está. E daqui a pouco pode ser muito tarde pra um monte de coisas. Que infelizmente, e à parte todas as críticas que possa ter a esse modelo que nos obriga a querer secar toda corpo todo vestígio de gordura, é mais real que o rei. E me subjuga também, produto do meio, da cultura e de tudo isso aí que também sou.

O autor até aponta solução para escapar desta armadilha, mas disso eu falo depois.

out272007

o que a criança mais deseja e precisa é aprender.

Ele é um velhinho polêmico, radical e que faz 99% dos jovens parecerem nada menos que caretas. (Eu já tinha postado esse texto no meu blog velho, mas não achei, o tempo engoliu…. :)

O texto abaixo é assim também, radical, polêmico, quase uma utopia, mas eu adoro o que ele fala, adoro e tento por em prática tudo que posso. Não posso muito, é verdade, mas sigo tentando :)

É um texto grande também, mas vale a leitura.

[..] o que a criança mais deseja e precisa é aprender.

Mas há uma enorme pedra no meio do caminho: quase toda a comunicação das crianças pequenas com adultos se faz por meio da linguagem

não-verbal,

bastante incompreensível para a maioria das pessoas.

É bom começar lembrando ser esta linguagem natural; é a usada pelos animais. Eles percebem e reagem, certamente sem falar, e é clara sua competência em alguma forma de comunicação.

Quem tem cão sabe muito bem o quanto eles se fazem entender. Crianças, até muitos meses de idade, se exprimem através de movimentos e sons variados quase sempre fáceis de entender quando se percebe bem a situação. Mas as pessoas, viciadas nas palavras e pouco treinadas na observação, acham difícil entender os sinais emitidos pelos pequenos. A maior parte dos adultos sente grande alívio quando a criança começa a dizer o que sente, quer ou precisa.

Para dificultar mais ainda as coisas, é preciso considerar o quanto as pessoas têm pouca consciência das próprias expressões, da música da própria voz e da forma de seus gestos. No mundo da linguagem não-verbal, a maior parte das pessoas se comporta como um surdo-mudo, e é assim que ocorre a maior parte do diálogo entre adultos e crianças, com graves desentendimentos entre ambos.
Mas é preciso saber mais sobre esta linguagem – podemos chamá-la de concreta; é um aprendizado direto pela experiência, sem nível algum de abstração, pura prática, no sentido adulto da palavra. Outrossim, é sobre esta experiência que ocorrerá o desenvolvimento da inteligência; esta é uma declaração hoje banal em educação, resumo mais do que sintético de quanto nos ensinou Piaget (e outros).
Dizendo de outro modo: sem muita prática, ninguém sabe o que está fazendo nem entende as coisas; esta declaração vale para qualquer idade e de modo especial para os primeiros anos de vida.

Como bichinho saudável, a criança se interessa por tudo, quer mexer em todas as coisas, ir a todos os lugares, experimentar o quanto lhe é possível com as mãos. os olhos, a boca, o corpo todo. Ela precisa “encher” o cérebro de experiências, sem as quais nada pode fazer.
Na vida muito ocupada das pessoas, não há muito tempo para acompanhar a criança ou proporcionar-lhe esta variedade de estímulos e então substituímos o muito experimentar pelo muito falar, e terminamos falando demais sem saber bem do que estamos falando, ou a que estamos nos referindo quando falamos!
Pior ainda: sabemos bem demais quantas vezes dizemos para elas

NÃO.

Cada “não” significa um movimento tolhido,
um gesto preso, uma experiência frustrada,
um aprendizado impedido,
uma independência proibida.

Sim, uma independência proibida. O melhor – ou o único – fundamento da confiança em si mesmo e da independência verdadeira só pode nascer da experiência bem vivida, bem sofrida e bem assimilada. Substituímos esta experiência concreta e real por mil conselhos (preconceitos) sobre o que e direito e o que não é, o que é certo, de quem e a culpa, quem deve ou não deve, mais todas as frases feitas relativas a tudo o que os pais devem ensinar a seus filhos. Tudo por demais desligado da experiência infantil e, pois, de sua compreensão verdadeira. Fabricação de papagaios a falar sem saber o que estão dizendo, ou gravações em cassete, para eternizar a insensatez coletiva.

A criança não entende nada destes conselhos, mas eles permanecerão para sempre em sua mente, atrapalhando todas as suas decisões e escolhas, perturbando a consciência e complicando os sentimentos.

As coisas se encadeiam com uma lógica de ferro.

É preciso tornar a criança muito mais dependente dos pais do que a natureza determinou; assim ela se fará mais dócil, obediente, temerosa e subserviente diante dos adultos, de início mãe e pai, depois “os mais velhos”, professores (em todos os níveis), patrões, sacerdotes, governadores, presidentes…

Ficam assim reforçadas todas as relações de poder.
Por isso, limitamos demais a experimentação infantil, em nome de mil motivos e preconceitos discutíveis, a fim de tornar a criança mais fácil de manipular, dirigir, orientar, “dobrar”.

Com algumas vantagens adicionais nada desprezíveis: depois de ter sido tão limitada em sua riqueza de possibilidades e movimentos, ao crescer ela mais facilmente se adaptará a trabalhos inexpressivos e monótonos, como são os empregos e profissões mais comuns.
Ela não será muito gente, nem muito humana, tampouco feliz e muito menos livre, em compensação – será compensação mesmo? – terá emprego e garantirá seu salário e sua subsistência.

Quase ninguém pensa quanto custa esta segurança. Ela está muito próxima daqueles pactos em que a pessoa “vendia a alma para o diabo…”.
Além disso, a pessoa mediocrizada pelas restrições “educativas” será na certa um cidadão sério, honesto e operoso, sempre disponível – sem protesto algum – diante de todas as manipulações, abusos e corrupções dos “de cima”.

Este tipo de educação, “acredite e se comporte como as autoridades dizem e nada faça para saber como as coisas se passam realmente”, tão presente hoje como na Idade Média, levou pessoas amantes da Humanidade a se convencerem de que todos nascemos génios e o que chamamos de educação nos torna medíocres.

Anos depois, nossas formas de trabalho (oito horas por dia de monotonia) eternizam essa mediocridade.

Nasce assim

normopata,

tido nas estatísticas como Homem Normal….

Abusamos da credulidade e da confiança inata da criança nos adultos que a cercam, para limitá-la em quase todas as direções.

Esse vício ou essa forma de… deformação pode ser visto facilmente na História da Desumanidade. Confúcio, Aristóteles c Galeno, lembrando apenas três figuras eminentes, foram “autoridades” indiscutíveis (ninguém podia duvidar deles) durante quase dois milênios. E sobre Confúcio convém lembrar: ele dizia que as mulheres não têm alma; portanto, matá-las não era crime.

A desumanidade está por demais predisposta a ser obediente e cega; a ver, aceitar ou acreditar naquilo que “as autoridades” dizem; disposta inclusive a viver, morrer e matar por essas “verdades”, invariavelmente tidas como “eternas” – mesmo quando se sabe que além da fronteira a verdade eterna é outra…

É fácil ver o quanto a História se repete em cada lar, e o quanto as “autoridades” originais são mãe e pai – modelos para atuação de todas as “autoridades” subseqüentes. Por isso “o povo” dá aos pais poderes ditatoriais!

Lembremos também: a maior de todas as autoridades é a chamada voz do povo, ou opinião pública, aquilo que todos dizem, muitas e muitas vezes, mesmo sem pensar: a ideologia, a soma dos preconceitos de cada grupo.

Retirado de:

GAIARSA, José Ângelo. Cartilha da Nova Mãe. Ed Ágora, 2003. São Paulo.


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