Archive for dezembro 2007

dez312007

o que eu sou

Em 2008 ( e para sempre) eu só quero ser o que eu sou. Sem mal estar. Sem medo. Sem vergonha.

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dez312007

passagem do ano

Adoro esse poema, adoro, adoro muito, mesmo que super batido. Gosto de ler para me lembrar.

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O último dia do ano não é o último dia do tempo.

Outros dias virão e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.

Beijarás bocas, rasgarás papéis, farás viagens e tantas celebrações de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia e coral, que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor, os irreparáveis uivos do lobo, na solidão.

O último dia do tempo não é o último dia de tudo.

Fica sempre uma franja de vida onde se sentam dois homens.

Um homem e seu contrário, uma mulher e seu pé, um corpo e sua memória, um olho e seu brilho, uma voz e seu eco, e quem sabe até se Deus… Recebe com simplicidade este presente do acaso. Mereceste viver mais um ano.

Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos. Teu pai morreu, teu avô também.

Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras espreitam a morte, mas estás vivo.

Ainda uma vez estás vivo, e de copo na mão esperas amanhecer. O recurso de se embriagar.

O recurso da dança e do grito, o recurso da bola colorida, o recurso de Kant e da poesia, todos eles… e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano. As coisas estão limpas, ordenadas. O corpo gasto renova-se em espuma.

Todos os sentidos alerta funcionam. A boca está comendo vida. A boca está entupida de vida.

A vida escorre da boca, lambuza as mãos, a calçada. A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

Carlos Drummond de Andrade

dez232007

lan house

 

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Tem uma coisa que eu acho engraçada: muita gente que eu conheço na internet, em blogs e afins e na vida real também faz questão de deixar bem claro que internet é só nas horas vagas, beeeeeeeeeeeeeeeem vagas, aquela quase inúteis, quando não se tem mais nada, nadica de nada de necessário/útil/interessante/____________ pra fazer.

Será que é porque todo mundo precisa se sentir ocupado? Com coisa mais interessantes/produtivas/trabalhosas que internet?Ou é por isso mesmo, o status da intenet é o de algo inútil? Infantil talvez? Quem gosta de internet é meio freak? Sei lá. Mas parece que todo mundo prefere ler, ver seriados, cozinhar, se maquiar, ver futebol na tv, cuidar dos filhos do que navegar.

Eu não. Adoro intenet, adoro o tempo que passo aqui e mesmo que minha casa pareça uma lan house não tem o menor problema. Pra mim internet não é coisa de segunda ou de útlima classe. Eu gosto, eu adoro, e faço questão de passar tempo aqui. É mais ou menos minha novela/seriado/cozinha de todo dia.

dez222007

ano

Acho que segunda feira já é ano novo pra mim. Eu tirei férias em novembro, já acabaram, já viajei, passei 15 dias longe, fui a São Paulo, tive 3 encontros maravilhosos, dois com minhas amigas motherns e um com minha querida amiga-irmã Dani JJ. Conheci Cabo Frio e Búzios, que não conhecia ainda.

Minha mãe passou muito bem por uma prova de fogo. Ela está tão bem que mal acredito.

Eu estou tirando notas muito boas em outras provas, tem gosto de final mesmo. E já tô mais é doida pro ano começar, pras coisas retomarem seu rumo, pra rotina recomeçar.

E Engordei. Siiim, engordei e não pouco, um horror, como se já não bastasse todo sofrimento de estar tão gorda. Tenho que ultrapassar a barreira que é essa: Toda vez que eu começo seriamente a pensar em dietas, regimes, RA, enfim em emagrecer, e verdade, eu engordo. Aí desisto. Mas agora não quero e não posso desistir. Não está mais na pauta desistir. É muito sofrimento estar tão gorda.

Eu preciso perder ao menos esse ar deformado que eu estou com ele. E vou perder. Preciso dar ao menos o pontapé inicial, eu mais que tudo preciso mostrar pra mim mesma que consigo, que posso. Preciso eliminar pelo menos 10% do meu peso pra começar a sair da doença.

Falta menos de um mês pra eu ir pra BA’s e preciso aproveitar esse tempo. Paradoxalmente meu ano começa amanhã, mas começa mesmo em fevereiro, depois do carnaval, já que janeiro vou passar quase todo na terra do tango.

Boas Festas para todos.

dez92007

trevo da sorte

Recebi essa delicadeza da Alena. Adorei, adoro estas coisas, e adoro mais ainda que ela tenha se lembrado de mim. Tenho certeza que vai me dar sorte. Repasso pra Ana, Greice, Babi, Bibi, , Tati, Flávia, Chris, Lili, Isabella, Val, Dri, Bárbara.

dez92007

hasta luego

Eu tinha um monte de coisas pra falar. Tenho pensado muito, muito. Essas minhas amigas queridas que comentam aqui também me dão muito material pra pensar, cada comentário eu penso mais que o outro. Como cresço!

Há dois anos atrás eu estava assim e deixei de fumar. Eu queria na verdade emagrecer, mas parei de fumar. Engordei 8 quilos. Terrível. Mas parar de fumar valeu cada quilo. Melhor se não existissem, mas se não pode ser diferente, valeu.

Sinto que há rupturas chegando. Acho que muito boas.

Mas eu vou viajar e minha cabeça está um turbilhão imenso. Também com interlocutoras como estas, não é pra menos. Sorte minha. Queria falar muito sobre estes comentários, mas não dá tempo agora. Acho que vai ser mais fácil encarar essa jornada com esse tipo de interação. Vocês não sabem como me fazem bem.

Não que eu não vá ficar conectada, pois nerd que é nerd tá sempre on line. Mas vou aproveitar o descanso para renovar forças, conhecer pessoas queridas, rever outras pessoas tb muito queridas. Eu vou descansar a cabeça, vou recarregar as baterias e voltar mais energizada, menos cansada e com mais pique. Estou cheia de planos pra volta, e ainda preciso me preparar para minha viagem de janeiro. Então até a volta, que vai ser logo, ainda este ano. Provavelmente ainda antes do natal. Mas que eu preciso ir ali um pouco, eu preciso. Beijo, comportem-se. Sejam leves.

dez62007

mamãe noel

Sabe por que Papai Noel não existe? Porque é homem. Dá para acreditar que um homem vai se preocupar em escolher o presente de cada pessoa da família, ele que nem compra as próprias meias? Que vai carregar nas costas um saco pesadíssimo, ele que reclama até para colocar o lixo no corredor?

Marta Medeiros, no livro “Trem-bala”, L&PM Editores – Porto Alegre, 2002, pág. 177.

Pois é, a Ana disse num comentário ai embaixo que a Rebelde que tem dentro dela às vezes se transforma num saco grande demais, a la Papai Noel.

Vejam se em dezembro essa é não é uma boa metáfora? Numa sessão na terapia minha terapeuta disse que na verdade eu cedo muito mais à uma conformista do que a uma rebelde verdadeira. E eu fiquei pensando que na verdade minha Rebeca também se transforma às vezes num saco enorme e pesado como de papai Noel. (Cheio de presentes e cuidados com todo mundo e cheio também de esquecimento por mim mesma. Mas isso é outro post)

E ainda na sessão de terapia a gente trabalha e meio que conclui, (meio parcamente) que na verdade eu ainda estou grudada demais num núcleo familiar (eu tô pra ver alguma psicanálise que não vai concluir isso).

Que na minha família não há tradição de mulheres bem sucedidas, que na minha família é complicado demais ser feliz. (Eu tb queria saber onde é fácil ser feliz…)

E que em vista disso eu tenho medo de ser totalmente feliz porque estaria me diferenciando cada vez mais e mais de uma família onde ser mulher é sentença de infelicidade, onde não existe apreço nenhum pelas mulheres, onde elas são, antes de tudo, muito infelizes.

Pois é, certamente deve ter algum sentido. Minha família absorveu bem a tradição patriarcal e não valoriza as mulheres em absoluto. Valoriza apenas como mão-de-obra. E a cada conquista minha eu tenho que promover alguma desconquista pra contrabalançar.

Imagina, ser bem sucedida profissionalmente, bem casada, feliz na maternidade e ainda por cima magra? Não vai dar né Nalu, volta aqui e junte-se a nós, as Mulheres da Sua Família! Aqui não é permitido ser feliz, aprenda!

E daí a Rebeca só pode mesmo atacar pelas beiradas, como eu disse. Ela não pode ser inteiramente livre. Com o peso de tantas gerações em cima dela (Vejam que as metáforas peso e prisão são recorrentes.)

E essa brincadeira toda ainda faz com que o peso do tal saco do papai Noel vá ficando cada vez maior. E pra agüentar todo o peso do saco de frustrações auto impostas (ou não), todo o medo de ser feliz, só mesmo tendo um corpo grande né? Bem grande, diga-se de passagem.

Mas eu tenho que superar esse medo, pois ainda estou engordando, é preciso ser leve. E livre. Coisas complicadas para uma mulher na minha família.

dez32007

gretel

A madrasta acompanhou as crianças ao âmago da floresta, onde jamais tinham estado até então, e após ter feito uma grande fogueira disse: “Sentem-se aqui e descansem; se estiverem cansados, podem até dormir. Vamos cortar madeira e depois chamamos vocês”. Ao meio dia, João e Maria dividiram entre si, como bons irmãozinhos, a única fatia de pão que sobrara. Depois dormiram, mas quando chegou a noite ninguém veio pegar as pobres crianças.

Esse pedaço do conto João e Maria reflete bem a ansiedade que está por trás do meu comer exagerado. Eu ainda me sinto como se tivesse sido abandonada na floresta. Eu não sei exatamente porque, e talvez todo mundo se sinta assim em certa medida. Mas acho que a maioria das pessoas consegue superar. E eu não consegui passar da fase da criança abandonada ainda. E putz, como eu tô velha pra isso né? O fato é que toda vez que eu tento emagrecer eu engordo, porque a ansiedade é grande demais. Eu tenho até taquicardia. Vem novamente o mesmo sentimento de perda e de abandono. Isso é infantil demais. Literalmente. São sentimentos que deviam ter sido superados na infância.

Mas acredito que sempre é tempo né? Preciso respeitar o meu tempo longo, afinal. Eu tive um amigo que me falava assim: Mas putz heim Nalu, você sempre pega o caminho mais dificil né? Ah, mas quem tá perdido sozinho na floresta precisa aprender sobre os caminhos dificeis né? Pois é, mas eu viciei nas dificuldades, percebo. O que é dificil acaba sendo um atrativo. Mas isso não é legal o tempo todo. Modos que como diz a moça perolada, eu tenho que aprender a facilitar. Facilitar a minha vida né?

Também preciso domar esse cansaço que a vida tá passando muito pra eu ficar assim tão cansada.

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